06 maio 2007

Quioto

A cidade de Quioto é frequentemente associada entre nós ao Protocolo de Quioto, mas a verdade é que Quioto é uma cidade com um legado histórico e cultural riquíssimo. Quioto foi a capital do Japão desde o Séc. VIII a XIX (passando para Tóquio), foi poupada do bombardeamento aéreo na 2º Guerra Mundial, e alberga cerca de 2000 templos.

Eu passei apenas dois dias em Quioto. Isso, mais a enorme enchente de pessoas na Golden Week, deu apenas para ver uma mão cheia de lugares. Mas como conseguir por ver os mais famosos (e mais espetaculares) deu para atingir um bom nível de satisfação.

O primeiro templo que vi foi o kinkaku-ji (pavilhão dourado), assim designado por estar coberto na sua maioria por folha de ouro.

Kyoto Kyoto

De seguida fui ver o jardim de pedras. Este é um dos jardins inspirado pela filosofia Zen/Budista feito à base de cascalho. Talvez por ter um conjunto de valores estéticos demasiado diferente, achei dificil de apreciar. Mas o facto era que os Japoneses pareciam encatados, e ficavam longos periodos sentados na borda a vislumbrar o jardim.

Kyoto Kyoto

O seguinte foi o Ginkaku-ji (pavilhão prateado). Foi inspirado no pavilhão dourado, e era supostamente para ser coberto a prata, mas a falta de dinheiro levou a que tal nunca acontecesse. O nome ficou.

Kyoto Kyoto

Nem todos os templos actuais de Quioto foram construidos com essa intenção. Muitos foram construídos para servirem casas de retiro dos poderosos senhores feudais. Só mais tarde é que foram usados como locais de culto.

Um dos templos mais impressionantes foi o kyomizu-dera, monstruoso, e a sua bancada está assente numa estrutura de madeira com 13 metros de altura.

Kyoto Kyoto

Não eram apenas os templos que estavam cheios de visitantes. As ruas também.

Kyoto

Num dos jardins havia uma floresta de bambú. É uma arvore realmente interessante: até emergir da terra é comestível; mas depois de crescer e cortado, é tão duro e liso que leva a duvidar se é mesmo bambú ou uma imitação de plástico.

Kyoto

Quioto é realmente uma das cidades mais "tradicionais" japonesas. À medida que percorria estes lugares imaginava constantemente como seria a mesma paisagem com a presença os senhores feudais, samurais, e gueixas, os seus quimonos, e todas as regras de comportamento... E não é um exercício dificil, pois graças à forma vigorosa com que os Japoneses protegem e perpetuam a sua herança cultural: é perfeitamente normal cruzar com pessoas que ou vestem da mesma maneira, ou praticam os mesmos rituais, ou as mesmas artes que à centenas de anos atrás.

Golden Week

Ultimamente não tenho escrito nada neste blog, por estar ocupado com trabalho e sem nada de novo para mostrar. Mas esta semana isso alterou-se. O motivo? Hoje termina a famosa Golden Week — uma semana com quatro feriados oficiais! Estranhamente, o dia 1 de Maio não é um deles... mas grande parte das empresas faz ponte de qualquer forma. Sem dúvida, semana dourada é um excelente nome!

Pois nesta Golden Week, aproveitei para visitar Quioto e Osaka. Mais detalhes seguem em breve.

02 abril 2007

Cerejeiras em Flor

Os Japoneses têm uma adoração pelas cerejeiras. As cerejeiras em flor são uma metáfora para efemeridade da vida: o desabrochar é extremamente bonito, mas igualmente curto. Este fim-de-semana as cerejeiras em flor estavam no seu auge e também fiz de questão de participar nesta euforia nacional de ver as cerejeiras em flor.

Em qualquer lugar podemos ver as cerejeiras:

Sakura in Tokyo Sakura in Tokyo

Mas nos parques é que é realmente possível dislumbrar o espetáculo em massa. Fui a Kamakura, que tem uma avenida cheia de cerejeiras.

Sakura in Kamakura Sakura in Kamakura Sakura in Kamakura Sakura in Kamakura Sakura in Kamakura

Como extra, vi uma cerimónia de casamento fiel ao estilo japonês que ali estava a decorrer.

Wedding in Kamakura

23 março 2007

Meio Ano

Fez no dia 1 de Março precisamente meio-ano desde que vim para o Japão. O tempo sem dúvida passa rápido.

Este fim-de-semana fui a Tóquio para uma reunião intermédia no Centro EU-Japão. Foi bom encontrar novamente todos os outros estagiários. Estavam todos bem e animados (excepto um que teve de interromper o estágio por motivos de saúde). É engraçado reparar como os nossos caminhos são tão diversos:

  • Uns estão super-motivados para o estágio, outros aborrecidos por não fazerem nada interessante.
  • Uns integraram muito bem com os Japoneses (fazendo vários amigos entre os colegas, vizinhos, etc), outros convivem praticamente apenas com outros estrangeiros.
  • Uns trabalham em média 11 horas por dia, outros têm dias de folga extra para viajar e conhecer o país.
  • Uns falam Japonês o dia todo e com toda a gente, outros apenas Inglês.
  • Daí que uns estejam cada vez melhor a falhar Japonês, enquantro outros já esqueceram o que aprenderam.
  • etc.

Com isto não quero julgar ninguem, pois é óbvio que muitos não tiveram realmente qualquer escolha, e foram empurrados por vias das circunstâncias para uma situação menos desejável. Contudo, esta é a realidade deste género de programas de estágio no estrangeiro. As circunstâncias variam não só de empresa para empresa, como dentro da própria empresa. E trata-se de uma faca de dois gumes, pois mesmo para as empresas, os resultados variam muito de pessoa para pessoa.

A minha postura é: a cavalo dado não se olha o dente, ou seja, aceita-se o bom e o mau, e faz-se o melhor que se pode, com o que se tem à mão. E não me posso queixar, pois está tudo a correr acima das minhas expectativas.

Filosofia à parte, neste meio ano restante, além de continuar a dar o litro no estágio, quero ver se vejo e faço tudo o que prentendo fazer aqui, pois o relógio já está em contagem descrecente.

16 fevereiro 2007

Manga Café

Para quem ainda não sabe, manga é termo normalmente usado para designar a banda-desenhada( (impressa em papel) Japonesa. A manga goza de imensa popularidade, dentro e fora do Japão.

E a propósito de manga vem uma das melhores invenções Japonesas: o manga café. Um manga café é uma combinação genial duma libraria de manga, internet café, alugers de vídeo, etc., onde a taxação é feita não por serviço, mas à hora.

Num manga café temos ao dispor uma vasta colecção de manga.

Manga Café

DVDs, consolas e respectivos jogos.

Manga Café

Secretárias, e acesso à internet (terminal, cabo, ou wireless).

Manga Café

Comes e bebes gratuitos.

Manga Café Manga Café

Sofá com vibração para relaxar.

Manga Café

E muito mais, como cabines individuais ou para pares, chuveiro, ...

Manga Café

Isto tudo por cerca de 3 EUR por hora. Além do mais, estão abertas 24h, sendo a forma mais económica de descançar, e esperar pelo 1º metro da madrugada em Tóquio, depois de já não aguenter mais na discoteca...

Japanese Language Procifiency Test

Recibi os resultados do Japanese Language Procifiency Test (Teste de Proficiência da Língua Japonesa). Fiz o nível 3 (existem quatro níveis, o nível 4 é o mais baixo, e o nível 1 é o mais difícil). Tive o resultado 90% (consistente em todas as três partes: escrita/vocabulário, audição, leitura/gramática). 25% estavam praticamente garantidos à partida: o teste é de escolha múltima, com quatro hipóteses, sem descontar as erradas. A nota mínima de passagem é de 60%. Por isso estou satisfeito com o resultado.

Não planeio tirar o nivel 2, por vários motivos:

  • O exame só pode ser feito uma vez no ano, por volta de Dezembro.
  • A diferença de dificuldade entre o nível 2 e o nível 3 é brutal: são abrangidos cerca de 1000 kanjis e 6000 palavras (em vez de 300 kanjis e 1500 palavras do nível 3).
  • O exame não é balanceado: ao contrário de vários outros exames do género (como o IELTS e o TOEFL para a língua Inglesa), não existe parte falada, e a parte escrita é também ela de escolha múltima, e não, por exemplo, através duma composição.

Em suma, prefiro continuar a estudar a língua Japonesa (neste momento, por mim próprio, com ajuda de vários livros, e falando sempre que posso), do que investir tempo a estudar promenores desnecessários para um exame que de pouco mais me pode servir.

14 fevereiro 2007

Dia de São Valentim

O dia de São Valentim no Japão é comemorado de uma forma original: neste dia as raparigas oferecem chocolates ao(s) rapaze(s) de quem gostam, os rapazes não precisam de fazer nada. Nesta altura, nas lojas e ruas de Tóquio vendem-se chocolates de todas as formas e feitios — e a todos os preços.

Passado um mês, no dia 14 de Março, designado por White Day, é a vez dos rapazes retribuirem à(s) rapariga(s) que estiverem interessados, com bolos ou chocolate.

Segundo consta, estes dois dias foram importações (culturais) efectuadas por companhias de doces, bem recentemente (finais da década de 50). Para mais alguma informação vejam este artigo.